Inflação em queda e já dentro da meta do COPOM

Na semana passada as notícias principais foram a continuação da Guerra de Israel e a divulgação da prévia do indicador do PIB pelo Banco Central (IBC-BR). O principal efeito da guerra é o aumento do preço do barril do petróleo, o preço se mantém próximo dos US$ 90,00, um pouco abaixo da semana passada, porém, acima do preço pré-guerra. Quanto ao indicador de prévia do PIB, o IBC-BR divulgado pelo Banco Central trouxe uma queda de 0,77% em agosto em relação a julho. Mesmo assim, o acumulado do ano foi de 3,06% e o acumulado nos últimos 12 meses foi de 2,82%, caindo dos 3% dos últimos meses. No próximo dia 26 o IBGE divulgará o IPCA-15 que antecipa o IPCA, a expectativa do mercado é que o acumulado dos últimos 12 meses atinja a meta do COPOM, ou seja, 4,75%.

No Relatório Focus divulgado no dia 23 de outubro não houve grandes mudanças nas projeções do mercado financeiro. Para o PIB o relatório fez uma pequena redução para 2023 de 2,92% para 2,90%, já reflexo da divulgação do IBC-BR; manteve as projeções para os anos de 2025, 2026 e 2027, de 1,50%, 1,90% e 2,00%, respectivamente. Já para a inflação a previsão de 2023 foi reduzida novamente de 4,75% para 4,65%, mantendo na meta de inflação, demonstrando que o mercado ainda não captou nenhum efeito da guerra; o relatório Focus reduziu a previsão para 2024 de 3,88% para 3,87% e manteve as projeções para 2025 e 2026 em 3,50%. 

As projeções da Taxa Selic continuaram as mesmas, 11,75%, 9,00%, 8,50% e 8,50% para os anos de 2023, 2024, 2025 e 2026, respectivamente. Com as previsões da Selic e com a previsão de redução da inflação para os próximos 12 meses, que caiu de 4,00% para 3,92%, a taxa de juros reais da economia, calculada pela coluna é de 6,51% ao ano. O mercado já prevê uma inflação para os próximos 12 meses aproximando-se do centro da meta, de 3%.

Quando se analisa a curva de juros do Brasil para os próximos anos, o mercado continuou elevando as suas previsões, ainda impactadas pelo aumento das taxas de juros dos EUA, janeiro de 2024 em 12,134%; janeiro de 2025 em 11,055%; janeiro de 2026 em 10,975% e janeiro de 2027 em 11,165%, os juros reais inclusos nessas taxas são de 7,31% ao ano, acima da taxa de juros calculada pela coluna de 6,51%.  Já as taxas dos títulos dos Estados Unidos caíram levemente, a taxa para 2 anos é de 5,084% e para 10 anos é de 4,878% ao ano.

Voltando para a questão econômica postada nessa coluna na semana passada sobre a tese do economista chinês Há-Joon Chang, a coluna criou uma tabela no excel anotando as variações anuais do PIB brasileiro de 1960 a 1999 para comparar com a tese do economista chinês. 

PaísesMédia anual do período 1960/1980Média anual do período1980/1999Variação das médias
Países desenvolvidos – PIB per capita2,94%1,53%-48%
Países em desenvolvimento – PIB per capita2,90%2,17%-25%
Brasil – PIB7,33%1,97%-73%

Fonte: Próprio autor

Segundo o economista chinês e demonstrado no quadro acima, no período considerado por ele, onde eram vigentes políticas econômicas com características desenvolvimentistas, o países em desenvolvimento e os países desenvolvidos cresceram praticamente iguais, porém, quando as políticas econômicas começaram a ter características neoliberais, patrocinadas e exigidas pelos países desenvolvidos, as médias de crescimento tornaram-se diferentes, os países em desenvolvimento cresceram 30% a menos no PIB per capita. 

A coluna acrescentou à tese do autor a mesma análise comparando o crescimento do PIB anual da economia brasileira nos dois períodos, o efeito é mais espetacular, enquanto a economia brasileira cresceu em média 7,33% ao ano no período desenvolvimentista, passou a crescer apenas 1,97% no período neoliberal. A coluna ainda analisou o período de crescimento do PIB brasileiro no período de 2002 a 2014 nos três governos completos do PT, foi de 3,44% e após o período PT, de 2017 a 2022 o crescimento foi de 1,13%. Portanto, essa é e será a grande discussão durante esse governo, a participação do Estado na economia brasileira. Os números para análise estão divulgados, a discussão é salutar e de extrema importância. Quem quiser saber mais sobre essa discussão teórica e ideológica, ler a obra do economista André Nassif, Desenvolvimento e Estagnação de 2023.

Marcos Freitas Pereira

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