Maior doador da campanha de Gayer é empresário acusado de integrar organização criminosa

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Empresário Rodrigo Gonçalves dos Santos repassou R$ 417,4 mil à campanha do deputado federal Gustavo Gayer (PL) ao Senado e é acusado pelo Ministério Público do Pará (MPPA) de participação em um esquema envolvendo supostas fraudes em licitações e contratos públicos em Canaã dos Carajás.

Segundo dados declarados à Justiça Eleitoral, Rodrigo realizou sete transferências via Pix, que somam R$ 417.463,40. O montante representa cerca de 22% da arrecadação da campanha e é quase o dobro dos R$ 222 mil doados pelo empresário Leonardo Rizzo, primeiro suplente de Gayer.

As doações ganharam repercussão nacional após reportagem publicada pelo Intercept Brasil nesta quarta-feira (30), que relacionou o principal financiador individual da candidatura às investigações conduzidas no Pará.

Rodrigo é ligado às empresas RGS Engenharia e Gonçalves & Dias Engenharia. Ele e outros investigados foram alvos da Operação Locus V – Fase Terra COMPrometida, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPPA, em agosto de 2024.

Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público, empresas ligadas ao empresário teriam obtido aproximadamente R$ 83 milhões em cinco contratos investigados em Canaã dos Carajás. Entre eles está um contrato de R$ 65,2 milhões para a construção de 628 unidades habitacionais.

A investigação sustenta a existência de um suposto esquema envolvendo empresários e agentes públicos para interferir na competitividade de licitações. De acordo com a acusação, haveria pagamento de vantagens indevidas, direcionamento de procedimentos e atuação para afastar empresas concorrentes. Em fevereiro de 2024, conforme apontado na investigação, os pagamentos atribuídos ao grupo teriam alcançado R$ 897 mil.

O empresário contesta as acusações e não há condenação definitiva pelos fatos narrados.

O processo também teve desdobramentos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em junho de 2026, decisão do ministro Reynaldo Soares da Fonseca acolheu questionamento apresentado pela defesa relacionado à distribuição do processo e determinou o trancamento da ação. A decisão passou a ser contestada por órgãos do Ministério Público.

A defesa de Rodrigo Gonçalves dos Santos sustenta que as acusações são improcedentes e afirma que a contribuição à campanha de Gayer ocorreu por alinhamento político e ideológico.

Já a defesa de Gustavo Gayer declarou ao Intercept Brasil que o candidato não mantém proximidade com o empresário e que desconhecia seus interesses comerciais em Goiás.

Não há indicação de que Gayer seja investigado pelos fatos apurados no Pará, tampouco de irregularidade nas doações eleitorais declaradas ou de relação entre os recursos destinados à campanha e os contratos investigados.

A Prefeitura de Canaã dos Carajás, por sua vez, declarou-se vítima do suposto esquema e informou ter adotado procedimentos internos de apuração.

Espaço aberto

A Agência Press mantém espaço aberto para manifestação da defesa de Rodrigo Gonçalves dos Santos e da assessoria de Gustavo Gayer. Caso sejam encaminhados novos esclarecimentos ou posicionamentos sobre os fatos apresentados, a matéria poderá ser atualizada.

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