COLUNA do Freitas – Mercado financeiro acena com sinal amarelo para economia

Estamos vivendo em uma semana bem agitada, tanto internacionalmente como nacionalmente. O ataque do Irã em Israel provocou tensões significativas na política internacional. Uma guerra generalizada naquela região é temida por todos, principalmente produtores e importadores de petróleo, já que a região é a grande produtora de petróleo no mundo. Uma crise de petróleo pode ocasionar alta de inflação e consequentemente alta dos juros.

Não foi só a política internacional que agitou os mercados, nos Estados Unidos a inflação realizado foi maior do que a prevista, tendo em vista que a economia está aquecida junto com o mercado de trabalho, a previsão de redução das taxas de juros foi abrandada, o mercado espera que o FED, Banco Central dos Estados Unidos da América, não reduza juros tão cedo. Com isso a moeda norte americana valorizou-se no mundo todo, no Brasil, dia 16 de abril, atingiu R$ 5,30. A explicação para isso é de que dólares que estão no Brasil seguem em direção ao Estados Unidos, isso no mundo todo. 

E o Brasil não poderia ficar para trás nessa semana agitada. O governo brasileiro divulgou a lei de Diretrizes do Orçamentárias (PLDO) de 2025. Nela o governo reduz a performance da previsão do resultado primário, para 2025 de um superávit de 0,5% do PIB para um resultado de zero de déficit e para 2026 a redução de um superávit de 1% para um superávit de 0,25%. Essa notícia somada as notícias da guerra e das taxas de juros dos Estados Unidos contribuíram também para valorização do dólar e aumento das taxas de juros futuras.

O lado real da economia é mais tranquilizador e estável. Os bancos do Itaú, BTG e FMI elevaram as suas projeções do PIB do Brasil para 2024: o Itaú e o BTG de 2% para 2,3% e FMI de 0,5% para 2,2% e hoje, dia 17 de abril, o Banco Central divulgou o IBC-Br, que é o indicador que prevê o PIB. O índice de fevereiro foi de 0,40% em relação a janeiro; 2,59% em relação a fevereiro do ano anterior e de 2,34% no acumulado dos últimos 12 meses. Portanto, a economia já cresce a mais de 2%. E a melhor das notícias é de que analistas projetam, com esses dados do IBC-Br crescimento de 1,3% o PIB no 1º. trimestre de 2024, puxado pelo consumo e agora também pelos investimentos, dobradinha imbatível.

Por último, outro dado importante da economia real foi a divulgação do IPCA na semana passada, a variação no mês de março foi de 0,16%, acumulando no ano 1,42% e nos últimos 12 meses 3,93%.

As projeções realizadas no relatório Focus divulgado no dia 12 de abril trouxeram pequenas variações em relação à semana anterior. Para o PIB de 2024 houve crescimento da previsão de 1,90% para 1,95%, houve manutenção das previsões para os anos de 2025, 2026 e 2027 em 2%. Já para a inflação, a previsão de 2024 reduziu de 3,76% para 3,71%; 2025 aumentou de 3,53% para 3,56% e 2026 e 2027 mantiveram-se as projeções de 3,50%.  

As projeções da Taxa Selic sofreram alterações, 2024passou de 9,00% para 9,13% e 2025, 2026 e 2027 manutenção da projeção em 8,5%. Com as previsões da Selic e o aumento da previsão da inflação para os próximos 12 meses para 3,53 %, a taxa de juros reais da economia, calculada pela coluna aumentou para 5,92% ao ano. A taxa prevista para o final do ano, com Selic em torno de 9,13%, equivalerá taxa de juros reais de 5,40%, ainda acima da taxa de juros reais neutra divulgada pelo Banco Central que é de 4,5%. Portanto essa é a tendência das taxas de juros reais do Brasil, porém, para esta coluna é de que ela se estabilize em torno de 8% ao ano e não em 9% ao ano até o final do ano de 2024.

Quando se analisa a curva de juros do Brasil para os próximos anos, o mercado oscilou para cima as suas previsões: janeiro de 2025 em 10,35%; janeiro de 2026 em 10,645%; janeiro de 2027 em 10,995%; janeiro de 2028 em 11,305%; janeiro de 2029 em 10,515% e janeiro de 2034 em 11,80% (Cotações – Juros Futuros – Ferramentas | InfoMoney), os juros reais inclusos nessas taxas são de 6,92% ao ano. Já as taxas dos títulos dos Estados Unidosforam negociadas para 2 anos é de 4,960% e para 10 anos é de 4,644% ao ano, apresentando crescimento em relação à semana anterior.

Ainda pelo relatório Focus as previsões do resultado primários foram, 2024 de -0,70% do PIB, 2025 de -0,60%,2026 de -0,50% e 2027 de -0,20%.

Abaixo, a tabela das projeções dos indicadores econômicos para 2024 com a atualização do Relatório Focus e a manutenção da coluna. O que se constata que o cenário positivo da economia brasileira está influenciando, a cada semana, a melhora das projeções do relatório Focus.

Abaixo quadro de projeção do IPCA para os próximos 3 meses, conforme relatório FOCUS para eventuais cálculos de projeções.

Abaixo para efeito de consultas, a coluna divulga a partir desta semana o quadro de indicadores econômicos e índices.

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