Opinião | Goiatuba entre a ruptura política e a tentativa de reconciliação: ainda há caminho?

A política, sobretudo em cidades do interior, é construída tanto por alianças quanto por rupturas. Em Goiatuba, o cenário recente escancara um enredo já conhecido: o da ascensão apoiada seguida de distanciamento — ou, como muitos classificam, “traição política”.

O atual prefeito, Alberto Ribeiro, chegou ao comando do município sob a forte influência e apoio do então prefeito Zezinho Vieira, figura consolidada e responsável por uma gestão que, para muitos, reposicionou Goiatuba em um novo patamar de desenvolvimento. Não há controvérsia relevante sobre isso: obras estruturantes, retomada da confiança popular e protagonismo regional carregam, em grande parte, o chamado “DNA Zezinho Vieira”.

No entanto, passado o processo eleitoral de 2024, o que se viu foi um afastamento progressivo entre criador e criatura. Segundo aliados, o atual prefeito teria optado por não manter a proximidade política com seu antecessor, deixando de lado orientações e até mesmo a construção conjunta de decisões estratégicas. Um movimento que, na leitura de muitos, foi precipitado — especialmente para alguém ainda considerado politicamente frágil.

Zezinho Vieira, por sua vez, adotou uma postura diferente. Experiente, manteve sua presença junto à população, reforçando sua base e seu capital político sem entrar diretamente em confronto público. Uma estratégia silenciosa, mas eficaz.

O ápice desse distanciamento veio à tona recentemente, durante a inauguração da reconstrução do aeródromo da cidade — evento que contou com a presença do governador Ronaldo Caiado. Mais do que uma entrega de obra, o momento se transformou em palco de um recado político claro.

Caiado, com a autoridade de quem lidera o estado, fez um apelo público pela união entre as lideranças locais. E foi além: ao destacar Zezinho Vieira como um dos melhores prefeitos que Goiatuba já teve, reforçou não apenas o reconhecimento à gestão passada, mas também sinalizou, de forma indireta, onde está a referência política de resultado.

A fala do governador não foi casual. Em meio a um cenário de divisão, ela expõe uma preocupação maior: a de que disputas pessoais comprometam a continuidade do desenvolvimento da cidade. Afinal, muitas das obras em andamento — viárias, estruturais e logísticas — nasceram ainda na gestão anterior e seguem sendo executadas pelo Governo de Goiás.

Diante disso, surge a pergunta inevitável: a reconciliação ainda é viável ou já é tarde demais?
Politicamente, nunca é impossível recompor. Interesses maiores, como governabilidade, reeleições futuras e alinhamento com o governo estadual, costumam falar mais alto. Há, inclusive, um movimento de bastidores envolvendo aliados e lideranças estaduais tentando reaproximar as partes — não por afinidade, mas por necessidade estratégica.

Mas, ao que tudo indica, o cenário já começa a apontar um rumo mais claro.

Nos bastidores, cresce a percepção de que Goiatuba se reconecta, naturalmente, com a liderança de Zezinho Vieira. Não apenas pelo histórico de gestão, mas pela força popular que o mantém como referência viva na cidade. Lideranças políticas locais e estaduais já identificam esse movimento — e, mais do que isso, passam a se posicionar a partir dele.

A questão, portanto, deixa de ser apenas política e passa a ser também simbólica:

👉 Vale a pena a reconciliação — especialmente para quem já é amado e, para muitos, idolatrado pelo povo?

Talvez a resposta não esteja na necessidade de união, mas no valor da confiança. Porque, em Goiatuba, mais do que alianças, o que está em jogo agora é o peso da história, da lealdade e do reconhecimento popular.

E, nesse cenário, uma coisa parece cada vez mais certa:
o futuro político da cidade já começa, novamente, a orbitar em torno de Zezinho Vieira.

Teresa Cristina (Teka)
Jornalista e Editora Executiva

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