Opinião: É hora do turismo de Goiás

Goiás vive um paradoxo: o Brasil fechou 2025 com o maior nível de atividade turística em 14 anos, alta de 4,6% segundo o IBGE, e nosso estado foi um dos poucos a recuar, 0,4%, na contramão de Bahia (+6,6%), Rio de Janeiro (+10,8%) e São Paulo (+3,9%). O turismo já responde por quase 8% do PIB nacional e gera um a cada dez empregos formais do país: Goiás, economia historicamente agropecuária, ainda trata esse motor de renda como pauta secundária, com a participação do setor no PIB e no emprego de 5%.

Basta olhar os vizinhos: a Bahia, cujo turismo pesa cerca de 7,5% no PIB estadual, gerou 10% dos novos empregos formais do estado, ICMS menor sobre querosene de aviação, feiras internacionais, marca promovida lá fora. O Ceará transformou Fortaleza em hub internacional com a Fraport e virou o estado mais buscado por viajantes estrangeiros. O turismo do Ceará participa com 10% do PIB. São Paulo, maior emissor de turistas do país e dono de 34% da receita turística nacional, é o mercado onde todo estado sério mantém uma “casa de turismo”.

Goiás tem ativos que poucos estados possuem: Caldas Novas e Rio Quente formam a maior estância hidrotermal do mundo, recebem cerca de 4 milhões de visitantes por ano e são o maior polo turístico do Centro-Oeste. Falo com conhecimento de causa: geri empresas no destino turístico da Região das Águas Quentes entre 1991 e 2005, e ali, em 1999, liderei um dos primeiros grandes projetos de time share do Brasil. Desde então, como cofundador da WAM Multipropriedade e hoje da AMT Desenvolvimento de Negócios, participei da comercialização de 29 empreendimentos de multipropriedade em todo o país, mais de R$ 10 bilhões em vendas,  vi de perto que a demanda privada por Goiás nunca foi o problema: faltou, sempre, a contrapartida pública de marketing e infraestrutura que Bahia e Ceará construíram para seus destinos. A Chapada dos Veadeiros é Patrimônio Natural da Humanidade; Pirenópolis com as suas cachoeiras, Araguaia, a praia do Centro Oeste e a Cidade de Goiás guardam patrimônio histórico único; o parapente já é referência nacional. Água quente e aventura são nossa marca, mas uma marca regional, quase ausente das campanhas nacionais e internacionais que Bahia e Ceará fazem há anos.

É esse o convite aos deputados estaduais, federais e senadores eleitos por Goiás: tratem o turismo como política de Estado, sustentada por orçamento contínuo, não como pauta de campanha. Falta a Goiás replicar o playbook de Bahia e Ceará: uma casa de representação permanente em São Paulo, onde operadoras fecham seus pacotes; incentivo fiscal para a malha aérea de Goiânia, hoje um gargalo real; e campanha institucional de marca, “Goiás: água quente e aventura”, sustentada por anos, com infraestrutura de acesso à Chapada, a Pirenópolis e ao Vale do Araguaia.

Goiás não precisa escolher entre agronegócio e turismo: precisa somar. Um estado que já lidera o Centro-Oeste em riqueza agropecuária pode fazer do turismo seu segundo motor doPIB, gerando emprego no interior. Essa é a pauta que deve constar na agenda de quem vai nos representar em Brasília e na Assembleia, antes que outros estados avancem ainda mais à nossa frente.

About Teresa Cristina [Teka]

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