Estado brasileiro negligência cuidados nos atendimentos de saúde mental, afirmam especialistas

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Estado brasileiro negligência cuidados nos atendimentos de saúde mental, afirmam especialistas

Einstein Paniago e Tânia Maria Resende Carvalho defendem mudança na lógica das políticas públicas, com foco na prevenção e em indicadores que meçam resultados

O poder público ainda chega tarde quando o assunto é saúde mental. Essa é a avaliação dos professores Einstein Paniago e Tânia Maria Resende Carvalho, que defendem uma mudança na forma de formular e executar políticas públicas para que o cuidado começa antes de o sofrimento se transformar em crise. Para os especialistas, o Brasil já possui políticas e conhecimento sobre o tema, mas ainda concentra esforços no atendimento de quem já adoeceu, enquanto prevenção e acompanhamento permanecem em segundo plano.

Para Paniago, o primeiro passo é deixar de tratar o sofrimento psicológico exclusivamente como um problema individual. Segundo ele, fatores como isolamento, precariedade, violência, sobrecarga digital, insegurança e condições de trabalho também interferem na saúde mental e precisam ser considerados na formulação das políticas públicas. “O cérebro é plástico e profundamente social. Isolamento, precariedade, violência, humilhação no trabalho, sobrecarga digital e ausência de vínculos estáveis não são meros pano de fundo da vida interior: são estímulos que organizam atenção, sono, humor e capacidade de planejar o futuro”, afirma.

Tânia Carvalho acrescenta que a individualização do sofrimento também pode contribuir para afastar a responsabilidade do poder público. Para ela, quando o adoecimento é interpretado apenas como uma questão pessoal, a resposta tende a ficar restrita ao consultório, à família e ao próprio indivíduo.

Os especialistas avaliam que outro problema está na organização da rede de atendimento. Embora existam estruturas voltadas à saúde mental, o sistema muitas vezes só consegue responder quando o quadro já se agravou. Paniago afirma que a atenção básica deveria ter papel fundamental na identificação precoce e no acompanhamento, mas enfrenta limitações de profissionais, formação, tempo e estrutura. “A rede existe no organograma e rarefaz-se no território. Falta recurso, sim. Mas o recurso existente, quando jogado sobre uma arquitetura que só se ativa no agravamento, reproduz o agravamento em ciclos viciados e progressivos”, diz.

Para Tânia, o problema não pode ser reduzido à falta de dinheiro ou de profissionais. ‘O principal nó é organizacional e temporal: a política pública de saúde mental ainda se comporta como pronto-socorro de um problema que deveria ser tratado como promoção de capacidades humanas’, afirma. Ela defende que saúde mental seja incorporada de forma transversal às políticas de educação, trabalho, assistência, cultura, esporte, habitação e tecnologia.

Prevenção não aparece na estatística

Na avaliação de Paniago, existe ainda um problema na forma como a administração pública mede suas próprias entregas. Ações de prevenção têm resultados menos visíveis do que consultas, procedimentos e atendimentos de emergência. “Porque o colapso é visível e a prevenção é silenciosa. Uma crise atendida vira estatística de produção. Uma crise evitada não corta fita, não rende placa e raramente vira prioridade orçamentária”, afirma.

Tânia Carvalho defende que a lógica orçamentária seja invertida, com maior atenção às ações capazes de evitar o agravamento. Entre as medidas citadas por ela estão o fortalecimento da atenção básica, a formação de profissionais para identificar precocemente o sofrimento, o desenvolvimento socioemocional nas escolas, a proteção à primeira infância e a criação de ambientes de convivência.

Os dois especialistas também destacam a necessidade de continuidade. Para Paniago, programas que começam e terminam a cada ciclo administrativo dificultam a produção de resultados duradouros. “O problema, muitas vezes, não está na ausência de conhecimento sobre o que precisa ser feito. Está na ausência de compromisso com aquilo que decidimos fazer”, afirma.

Perfil biográfico

Einsten Paniago tem trajetória marcada pela atuação em cargos estratégicos na administração pública e em entidades de classe, com experiência em áreas como governança, fiscalização, auditoria, compliance e finanças públicas. Também atua como contador, administrador público e professor universitário, desenvolvendo atividades voltadas à formação técnica e à qualificação da gestão pública.

Doutor em Direito pelo UniCEUB, mestre pela PUC Goiás e MBA pela USP, ele atualmente exerce o cargo de conselheiro federal de Contabilidade (mandato 2026–2029). Com foco no desenvolvimento econômico e na modernização do Estado, defende o fortalecimento da cidadania fiscal e da eficiência na gestão pública como caminhos para melhores resultados sociais e econômicos.


“Em Pauta” – Assessoria e Consultoria de Comunicação

Alessandra Vaz – Jornalista
(62) 9 8166-5078

Daniel Carvalho – Editor geral
(62) 99332-4707

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